Erros comuns no uso do cartão de crédito e como corrigi-los

Cartão de crédito com chip de segurança e logo MasterCard, foco em uso responsável de cartões.

A maioria das pessoas usa cartão de crédito de forma errada sem perceber. Não é que estejam fazendo algo ilegal ou absurdo, mas pequenos erros no uso do cartão fazem você pagar mais, perder benefícios e correr risco de endividamento sem necessidade.

Esses erros são comuns porque parecem inofensivos. Pagar o mínimo da fatura, parcelar tudo, não acompanhar os gastos. São hábitos que se acumulam e, de repente, você está pagando juros altíssimos ou com uma dívida fora de controle.

Este artigo mostra os erros mais comuns no uso do cartão de crédito e como corrigir cada um deles. Se você se identificar com algum desses comportamentos, ajuste agora antes que vire um problema maior.

Erro 1: Pagar apenas o mínimo da fatura

Esse é o erro mais perigoso e também o mais comum. A fatura sempre oferece a opção de pagar o valor mínimo, mas escolher essa opção é um dos piores erros financeiros que você pode cometer.

Por que é um erro:

Quando você paga só o mínimo, entra no crédito rotativo. O banco cobra juros sobre o valor restante, e esses juros são altíssimos. Mesmo com o limite legal que impede juros e encargos de ultrapassarem 100% do valor original da dívida, você ainda pode acabar pagando o dobro.

Exemplo:

Fatura de R$ 2.000<br>Pagamento mínimo: R$ 400<br>Saldo devedor: R$ 1.600

No mês seguinte, os juros são aplicados sobre esse R$ 1.600, e a dívida continua crescendo enquanto você paga só o mínimo.

Como corrigir:

Sempre pague a fatura integral. Se você não tem como pagar o total, entre em contato com o banco e peça para parcelar a fatura com juros menores. Muitos bancos oferecem parcelamento com taxas melhores que o rotativo.

Se você já está no rotativo, pare de usar o cartão imediatamente e negocie para tirar a dívida do rotativo.

Erro 2: Não acompanhar os gastos durante o mês

Muita gente só olha o cartão quando a fatura chega. Aí vem o susto: o valor está muito maior do que imaginava.

Por que é um erro:

Quando você não acompanha os gastos, perde o controle. Pequenas compras aqui e ali se somam, e você ultrapassa o que pode pagar sem perceber. No fim do mês, você descobre que gastou muito mais do que sua renda permite.

Como corrigir:

Abra o aplicativo do banco pelo menos uma vez por semana e veja quanto você já gastou no mês. Configure notificações para receber alertas de cada compra. Isso te mantém consciente do quanto está gastando em tempo real.

Defina um limite mental menor que o limite do cartão. Por exemplo: se seu limite é R$ 5.000, defina que você só vai usar até R$ 3.000 por mês. Quando chegar nesse valor, pare de usar.

Erro 3: Parcelar compras pequenas

Parcelar uma TV de R$ 3.000 em 10 vezes até faz sentido. Mas parcelar um tênis de R$ 300 em 6 vezes ou uma roupa de R$ 150 em 3 vezes é um erro que compromete seu orçamento sem necessidade.

Por que é um erro:

Cada parcelamento ocupa uma parte da sua fatura pelos próximos meses. Se você parcela muitas compras pequenas, a soma de todas as parcelas pode ficar pesada. Em poucos meses, você tem 10, 15, 20 parcelas ativas, e a fatura fica alta mesmo sem você fazer novas compras.

Como corrigir:

Só parcele compras grandes e necessárias. Para compras pequenas (abaixo de R$ 500), pague à vista. Se você não tem dinheiro para pagar à vista, não compre ainda. Espere juntar o dinheiro.

Antes de parcelar qualquer coisa, pergunte: se eu fosse pagar à vista agora, eu compraria? Se a resposta for não, não parcele.

Erro 4: Ter muitos cartões ativos

Algumas pessoas têm 3, 4, 5 cartões de crédito. A justificativa é sempre a mesma: “é bom ter limite disponível” ou “esse tem milhas, esse tem cashback, esse é para emergências”.

Por que é um erro:

Quanto mais cartões você tem, mais difícil fica o controle. Você esquece de pagar uma fatura, perde a noção de quanto está gastando no total, e aumenta o risco de se endividar. Além disso, ter muito limite disponível pode te fazer gastar mais do que deveria.

Como corrigir:

Use apenas um cartão principal. Se você realmente precisa de um segundo (para separar despesas pessoais de profissionais, por exemplo), tudo bem. Mas não tenha mais que dois.

Cancele os cartões que você não usa, especialmente aqueles que cobram anuidade. Se você não quer cancelar, pelo menos peça para reduzir o limite dos cartões secundários.

Erro 5: Ignorar a data de fechamento

Muita gente só olha para a data de vencimento e esquece da data de fechamento. Mas entender o ciclo do cartão pode te ajudar a ter mais tempo para pagar sem juros.

Por que é um erro:

Se você compra logo depois do fechamento, essa compra só entra na próxima fatura. Mas se você não sabe quando fecha, pode fazer compras grandes logo antes do fechamento e ter que pagar tudo em poucos dias.

Como funciona:

Fechamento: dia 10<br>Vencimento: dia 17

Se você compra no dia 5, entra na fatura que vence no dia 17. Você tem 12 dias para pagar.<br>Se você compra no dia 12, entra na fatura do mês seguinte, que vence dia 17 do próximo mês. Você tem mais de 30 dias para pagar.

Como corrigir:

Descubra qual é a data de fechamento do seu cartão (está no app ou na fatura). Se você precisa fazer uma compra grande, faça logo depois do fechamento para ter mais tempo até o vencimento.

Erro 6: Usar o cartão para sacar dinheiro

Alguns cartões permitem sacar dinheiro em caixas eletrônicos. Isso parece prático, mas é uma das piores formas de usar o cartão.

Por que é um erro:

Saque no cartão tem taxas altíssimas. Além dos juros normais, tem taxa de saque e IOF. No final, você paga muito mais do que se pegasse um empréstimo pessoal.

Como corrigir:

Nunca use o cartão para sacar dinheiro. Se você precisa de dinheiro urgente, procure outras opções: empréstimo pessoal, consignado, ajuda de familiares ou até vender algo que você não usa.

Erro 7: Não aproveitar o período de graça

O cartão de crédito oferece um benefício importante: o período sem juros entre a compra e o vencimento da fatura. Muita gente desperdiça esse benefício pagando antes da hora ou comprando sem planejamento.

Por que é um erro:

Se você tem dinheiro guardado e paga a compra à vista no débito, você perde esse dinheiro imediatamente. Se você compra no crédito, pode manter o dinheiro rendendo até o vencimento, desde que tenha disciplina para pagar a fatura integral.

Como corrigir:

Se você tem disciplina para pagar a fatura integral, use o cartão para compras planejadas e deixe o dinheiro rendendo até o vencimento. Mas atenção: isso só funciona se você realmente tem o dinheiro guardado e vai pagar a fatura cheia. Se você não tem controle, é melhor usar débito mesmo.

Erro 8: Acumular anuidades sem usar os benefícios

Muitos cartões cobram anuidade. Se você paga anuidade mas não usa os benefícios do cartão (milhas, cashback, descontos, seguros), está jogando dinheiro fora.

Por que é um erro:

Cartões premium podem cobrar R$ 500, R$ 1.000 ou mais de anuidade por ano. Se você não usa os benefícios, está pagando por nada.

Como corrigir:

Se você tem cartão com anuidade, calcule se os benefícios compensam. Se você acumula milhas e viaja, pode valer a pena. Se você não usa nada, troque por um cartão sem anuidade.

Bancos digitais oferecem cartões gratuitos com cashback. Para a maioria das pessoas, esses cartões são suficientes.

Se você não quer trocar, ligue para o banco e negocie isenção de anuidade. Muitos bancos aceitam isentar se você ameaçar cancelar ou se você usa o cartão com frequência.

Erro 9: Compartilhar o cartão com outras pessoas

Emprestar o cartão para amigos ou familiares, ou ter cartão adicional para alguém que não tem controle financeiro, é um erro que pode sair muito caro.

Por que é um erro:

Você é o responsável por todos os gastos feitos no seu cartão. Se a outra pessoa gastar demais ou não te devolver o dinheiro, você fica com a dívida.

Como corrigir:

Nunca empreste seu cartão. Se você quer ajudar alguém, faça uma transferência ou empreste dinheiro em espécie.

Se você tem cartão adicional para alguém (cônjuge, filho), defina um limite baixo para o adicional e acompanhe os gastos de perto. Se a pessoa não tem controle, cancele o adicional.

Erro 10: Ignorar a fatura e as notificações

Algumas pessoas nem abrem a fatura. Só pagam o valor que aparece no app sem conferir. Isso pode fazer você pagar por compras que não fez (fraudes) ou por serviços que não usa mais (assinaturas esquecidas).

Por que é um erro:

Fraudes acontecem. Assinaturas que você cancelou podem continuar sendo cobradas. Compras parceladas que você já esqueceu continuam aparecendo. Se você não confere, paga por coisas que não deveria.

Como corrigir:

Todo mês, antes de pagar a fatura, abra e confira cada item. Veja se todas as compras são suas. Se tem algo estranho, conteste imediatamente com o banco.

Cancele assinaturas que você não usa mais. Muita gente paga Netflix, Spotify, academia e outros serviços há meses sem usar.

Erro 11: Usar o cartão quando você já está no limite

Quando você usa percentuais muito altos do limite do cartão, isso pode prejudicar sua análise de crédito e indicar maior dependência do limite disponível.

Por que é um erro:

Usar todo o limite mostra que você está dependendo muito do crédito. Além disso, se você usa todo o limite, qualquer imprevisto te deixa sem margem.

Como corrigir:

Como regra prática, procure usar no máximo 30% do seu limite disponível. Se seu limite é R$ 10.000, use no máximo R$ 3.000 por mês. Isso mostra que você tem crédito disponível mas não depende dele.

Se você precisa usar mais que 30% com frequência, ou seu limite está muito baixo, ou você está gastando demais. Analise e corrija.

Conclusão

A maioria desses erros parece pequena, mas juntos eles podem destruir sua saúde financeira. Pagar só o mínimo, parcelar tudo, não acompanhar gastos e usar muitos cartões são hábitos que levam ao endividamento.

A boa notícia é que todos esses erros são fáceis de corrigir. Comece hoje: revise como você está usando seu cartão, identifique quais erros você está cometendo e faça os ajustes necessários. Em poucos meses, você vai ter controle total e vai usar o cartão como uma ferramenta, não como uma armadilha.

Fonte oficial: Banco Central do Brasil — https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/cartaodecredito


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